Governança Corporativa: Planejamento Empresarial e Sucessório

No universo empresarial, diversas teorias de gestão são adotadas, demonstrando que a organização (e seus lideres) seguem as tendências da moderna administração. Talvez por isso, várias destas metodologias tem tão pouca aderência prática na realidade na maioria das organizações.

Todavia, outros conceitos agregam valor às empresas, aos seus gestores e assim, ao mercado. Falar em Governança Corporativa é pensar na forma como a qual empresa perpetuará e de será longeva, proporcionando lucro aos seus acionistas.

Por este motivo então, percebe-se que este assunto não se trata de estar na vanguarda da gestão empresarial, mas sim de como a existência da empresa se garantirá.

Governança corporativa na prática

A primeira ideia prática que se deve ter acerca da governança de uma empresa é saber se o fundador tem sucessores ou somente herdeiros. A diferença entre estes papéis é relevante, o Conde Francisco Matarazzo, que liderou um dos maiores grupos econômicos brasileiros tinha sucessores ou somente herdeiros?

E isso se torna um dilema, pois um dos objetivos do empreendedor quando funda seu negócio é o de este seja o sustento seu e de sua família, e que seus descendentes estejam à frente dos negócios. Mas seus herdeiros tem o talento para seguir com a empresa do ponto em que está para ir a patamares mais altos?

Isso não quer dizer que a ausência de sucessores naturais afaste a família da empresa. Abílio Diniz (ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar, herdeiro e sucessor do fundador desta rede varejista), diz que “a empresa não deve servir à família, mas a família pode sim servir à empresa”.

Ou seja, os herdeiros, enquanto acionistas, devem fazer uso do que suas cotas acionárias lhes permite, mas não devem, com isso impor-se somente por serem acionistas, mas podem ainda trabalhar e colaborar com o desenvolvimento da organização, naquilo que são reconhecidamente capazes.

Habilidades necessárias para governança corporativa

Assim, a governança é a capacidade das sociedades (gestoras de uma empresa) de se munirem de sistemas de representação, instituições e processos, para se autogerirem. O principal objetivo é garantir (ou eventualmente recuperar) a confiabilidade de uma determinada empresa para os seus acionistas e o mercado.

Isso acontece por meio de um conjunto eficiente de mecanismos, tanto de incentivos quanto de monitoramento, que assegurem que o comportamento dos executivos esteja sempre alinhado com o interesse dos acionistas e do mercado em que estão inseridas. Para tanto, são necessárias três habilidades:

Conceitual

Permite avaliar todas as possibilidades, e ter segurança para a tomada de decisões. A combinação destas três habilidades e a “dose” de cada uma, é o fator critico de sucesso.

Por isso, considerar a Governança Corporativa no planejamento geral da empresa contribui para um desenvolvimento econômico sustentável, que apoie no desempenho das empresas, considerando argumentos como holdings, Conselhos e demais sistemas como premissas de prosperidade, e assim se evitando o risco de fracassos decorrentes de:

  1. Abusos de poder – dos controladores sobre os minoritários, da direção sobre o acionista e dos administradores sobre terceiros;

  2. Erros estratégicos – resultado a concentração de poder no executivo principal;

  3. Fraudes – uso de informações privilegiadas em benefício próprio, conflito de interesses, ou simplesmente de apropriação ilícita de recursos financeiros.

Gestão

O sucessor deve conhecer o funcionamento do negócio e ter visão de marketing e finanças, estar ciente para onde o mercado caminha, e colocar a empresa neste sentido, de forma estruturada e sadia.

Humana

Deve perceber as pessoas que o cerca, e inspirá-las, com isso ele irá promover um contínuo desenvolvimento da equipe.

De frente a isso, compreendemos então porque as práticas de Governança Corporativa estejam na agenda dos empreendedores e empresários com visão de futuro, e que entendem que suas empresas devem continuar lucrativas, e assim perpetuarem.