Publicado no DCI em 

Todas as empresas, de qualquer ramo de atividade ou porte, enfrentam, em diferentes fases de desenvolvimento do negócio, períodos de transição. Tratam-se de momentos nos quais as organizações precisam romper com um modelo ou uma prática predominante até então ou criar um novo cenário para garantir um futuro mais promissor.

Apenas para exemplificar o que seria uma transição, podemos citar os processos sucessórios em empresas familiares; as mudanças de comando diante da venda da empresa para outra companhia ou para um fundo de investimento; a reconstituição do negócio após um pedido de recuperação judicial; ou até mesmo as mudanças de gestão para momentos de grande crescimento. Estas transições são constantes e a forma de conduzi-las é a chave para um resultado positivo.

O grande problema é que as transições, muitas vezes, acontecem de forma inesperada – ou não previamente planejada – e os erros na condução dos negócios podem comprometer o desempenho final. É justamente neste contexto que surge o conceito de transition management. Como diz a tradução literal, estamos falando exatamente do gerenciamento da transição.

Muito comum em países da Europa, o tema ainda é pouco difundido no Brasil e muito confundido com outras práticas, como consultorias de negócio ou até mesmo com serviços de hunting de profissionais. A gestão da transição é muito mais ampla do que o desenvolvimento e implementação de um projeto ou a busca por um profissional com expertise recomendada para um determinado momento da companhia.

Trata-se de reunir múltiplos pontos de vista a respeito de determinada necessidade, contando com profissionais que já enfrentaram inúmeras vezes os desafios de uma determinada transição. O modelo é tão completo que existem empresas especializadas exclusivamente no gerenciamento destes períodos de transição, inclusive associações globais especializadas no assunto.

Podemos citar uma empresa que precisa implementar um modelo de compliance. Para garantir a efetividade do processo, a empresa pode ser contar com a expertisede uma equipe que já sabe todos os desafios, entraves, dificuldades e os caminhos para tornar o processo fácil e promissor.

O mesmo vale para empresas que enfrentam fusão. Gerenciar a integração, planejar onde a mudança de paradigma envolve culturas, clima organizacional, não requer só conhecer benchmarks de mercado. Requer prática da gestão de todo o período de transição.

Além disso, não ter laços com nenhuma das duas empresa efetivamente é um fator decisivo para que as tomadas de decisão tenham como único enfoque o melhor para a nova empresa.

Em um mundo cada vez mais globalizado, processos de mudança e transformação das empresas acontecem a cada fase. A complexidade de cada desafio exige variadas expertises. Mesmo companhias com times multidisciplinares e competentes, encontram dificuldades em identificar e gerenciar esses movimentos com isenção e qualificação.

Ao invés de ampliar o meu time, posso gerenciar este momento como transitório. Companhias européias usam o conceito e sabem que, em certos momentos, transferir a gestão para especialistas é caminho mais curto para o sucesso. Assim como em alguns mercados mais maduros do mundo, está na hora de o mercado brasileiro também passar por esta transformação e deixar as transições mais profissionais.

Ricardo Cereda é sócio da XPM Brasil

rcereda@xpmbrazil.com.br