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por Ronaldo Nuzzi 

Momentos de instabilidade costumam produzir dois movimentos extremos dentro das organizações. De um lado, a paralisia, a espera por um cenário mais claro antes de decidir. Do outro, a reação apressada, mudanças sucessivas, sem critério, em busca de respostas rápidas para problemas estruturais. 

Nenhum dos dois caminhos sustenta resultados no médio prazo. 

Ao longo da minha trajetória, vi ciclos econômicos se repetirem com roupagens diferentes. O padrão, no entanto, permanece. Empresas que atravessam bem períodos instáveis não são as que tentam prever o futuro com precisão, mas aquelas que constroem bases sólidas o suficiente para operar mesmo quando o cenário muda. 

Disciplina, nesse contexto, não significa rigidez. Significa clareza. Clareza sobre processos, responsabilidades, prioridades e limites. Significa saber onde a organização pode ser flexível e onde não pode abrir mão de consistência. 

Nos últimos anos, muitas empresas investiram intensamente em tecnologia, estruturas e novos modelos operacionais. Parte desses investimentos gerou ganhos reais. Outra parte apenas adicionou complexidade. Em 2026, a diferença entre maturidade e improviso começa a ficar mais evidente. 

Automação, terceirização, uso de dados e inteligência artificial são ferramentas poderosas, quando inseridas em um desenho coerente. Sem isso, tornam-se atalhos perigosos. Nenhuma tecnologia compensa a ausência de governança. Nenhuma estrutura sustenta resultados sem uma cultura clara de prestação de serviços e responsabilidade. 

Também se torna cada vez mais evidente que decisões internas têm impactos que extrapolam os limites formais da organização. Cadeias de valor, parceiros e modelos de gestão de pessoas passaram a integrar o campo da estratégia. Escolher com quem operar é tão relevante quanto decidir como operar. 

Instabilidade econômica não elimina escolhas. Pelo contrário: ela as torna mais visíveis. Cada decisão (ou indecisão) constrói o tipo de organização que será capaz de atravessar os próximos ciclos. 

Minha convicção é simples: empresas não precisam de mais respostas prontas. Precisam de mais critério. Mais disciplina. E mais disposição para fazer o básico bem-feito, mesmo quando o ambiente convida ao excesso e à pressa. 

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