LEAN CONSTRUCTION – O NOVO SISTEMA DE PRODUÇÃO QUE VEIO PARA FICAR

Atualmente, a busca por redução de prazos e custos na construção civil tem sido cada vez mais necessária para manter a competitividade do negócio. Consequentemente, contar com um sistema de produção que proporcione aumento da previsibilidade e margens maiores tornou-se o objeto de desejo de construtoras dos mais diferentes portes e localidades.

O Lean Construction, ou “Construção Enxuta”, tem em suas origens o sistema de produção concebido pela montadora de veículos Toyota. Assim, como em diferentes setores produtivos, as práticas e conceitos trazidos pela montadora japonesa também chegaram à construção civil. Por meio da redução sistemática de desperdícios, o objetivo é aumentar a eficiência desde o planejamento até a execução de todas as frentes de trabalho. Com este conceito, as atividades obedecem um ritmo ajustado, garantindo melhor produtividade e, consequentemente, atingindo as necessidades de qualidade, custo e prazo.

Países da Europa, além do Japão e Estados Unidos, nas últimas duas décadas, têm alcançado resultados concretos a partir da aplicação de tais conceitos em metodologias mais robustas criadas no setor da construção. No Brasil, este novo sistema de produção também tem proporcionado ganhos significativos tanto em obras prediais como em obras de infraestrutura. No entanto, seja pelo desconhecimento das vantagens competitivas ou ainda a falta de entendimento das empresas quanto a situação atual do seu negócio, ainda está restrito a um pequeno grupo de construtoras.

Adotar a Construção Enxuta como sistema de produção vai muito além do que apenas utilizar as “ferramentas lean” que foram consagradas na indústria. O segredo para alcançar o sucesso nesta jornada é compreender o conceito e abstrair. É preciso utilizar a metodologia prática para facilitar o caminho aos resultados rápidos.

A Thompson Managament Horizons é uma das consultorias especializadas no tema e que desenvolveu um processo para que a implantação do Lean Construction na construção civil alcance rapidamente os resultados pretendidos. De modo geral, esta implantação é dividida em cinco etapas. 1) Análise do Escopo: tem como objetivo entender a “encomenda” do cliente, analisar todas as informações do produto e “enxergar” de forma global todas as entradas de informações da obra, projetos, contratos e orçamento; 2) Planejamento Puxado: nesta fase, o objetivo é inserir a variável “tempo” no projeto; construir o plano mestre de produção levando em conta os milestones de contrato desdobrados por processo; identificar e gerar um plano de ações para as restrições. 3) Princípio do Takt: Takt é um termo em alemão que significa ritmo. Nesta etapa, o foco é ajustar as equipes de produção em função do prazo desejado por meio de uma harmonização das equipes, gerando uma programação com menor prazo e custo nas frentes de trabalho; 4) Gestão e Controle: tem como finalidade adotar um modelo para administrar os recursos com o objetivo de atender as metas traçadas para a obra; 5) Melhoria Contínua: a partir da utilização de ferramentas lean adaptadas às obras, o  objetivo é buscar melhorias de produtividade e qualidade, garantindo o cumprimento do planejamento elaborado. 

A introdução do Lean Construction, apesar de ser um grande desafio, precisa ser encarada como uma mudança de paradigma. Estamos diante de um novo sistema de produção que veio para ficar. E o mercado da construção civil também precisa caminhar nesta direção. 

Eduardo Henrique de Oliveira é sócio da Thompson Management Horizons. Graduado em engenharia de produção, possui MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, especialista em Lean e experiência em projetos internacionais no Japão, Itália e México. Atuou como executivo por 16 anos em indústrias do segmento automotivo e de construção. Na Thompson desde 2013, já conduziu dezenas de projetos e implementou o Lean Construction em mais de 10 obras no Brasil. É autor do Livro: Lean Construction – O princípio do Takt.

 



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